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Diário de Quarentena: Dé Fernandes, criadora de conteúdo e consultora

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Por Dé Fernandes:

No segundo semestre de 2019 eu decidi que precisava desacelerar. 2018 e 2019 foram anos sem pausa: viajei muito a trabalho, estava feliz, mas o cansaço começou a me fazer questionar se eu realmente gostava de fazer isso. Por isso montei um apartamento em Cachoeira de Minas, cidade com 11 mil habitantes no Sul de Minas, para ficar mais perto do meu noivo Bibi e pensar em uma maneira renovada de produzir conteúdo.

Quando começou 2020, todo aquele sonho de ter uma vida tranquila no campo virou uma ilusão – o ritmo de trabalho voltou como era antes e eu não parei em casa. Então, na primeira semana de Março, fiz 10 presenças seguidas de eventos, tive mais de 100 looks fotografados. Em seguida, entrei no carro para voltar pra casa, no dia 12 de Março, ouvi o primeiro áudio do Átila Imarino falando sobre a COVID-19.

A chegada:

Fiz minha última sessão de fofos com todos os sintomas: febre, tosse, falta de disposição. Fiquei em pânico quando ouvi sobre a doença, afinal tinha encontrado lojistas do Brasil inteiro nas últimas semanas. Fui ao médico e estava com infecção de garganta e imunidade baixa: em outras palavras, era o corpo pedindo uma pausa.

Por conta disso, fiquei 30 dias em casa. Ironicamente, algo que eu tinha sonhado lá no início do ano estava acontecendo de maneira forçada. Além do isolamento, tive que lidar com a mudança de estar morando em outra cidade e sem os meus pais. Aprendi a cozinhar, a arrumar a casa e a conviver comigo mesma. A gente percebe que não sabe apreciar nossa própria companhia.

Dé Fernandes quarentenando

Dé quarentenando


Por dentro e por fora:

Desde então, eu falo que tenho duas palavras para definir esse momento. Oscilação e Reinvenção.

Tem dias em que estou super animada, quero produzir mais e tem dias em que respeito a vontade de ficar na cama até mais tarde. Criei um mídia kit da quarentena, no qual ofereço o look do dia, provador fashion, vídeo look feitos em casa e consultoria on-line.

No meu conteúdo, passei a compartilhar mais sobre estratégias de posicionamento digital para lojistas que ainda não usam o Instagram como vitrine do seu trabalho. Assim, está sendo especial tirar esse tempo para dividir o que eu aprendi nesses 10 anos de carreira no mercado plus size e ajudar outros empreendedores.


Família Dé Fernandes unida:

A cada 15 dias preciso ir para São José dos Campos. Vou tomando todos os cuidados para poder ajudar meus pais nas compras, ajudar minha irmã com as crianças e buscar looks que chegam lá.

Aqui em MG eu não sinto muito o que está acontecendo, pois felizmente a doença não chegou aqui. A cidade é pequena, já tem um movimento baixo e não saio de casa. Mas quando chego em SJC tenho mais medo, já que os riscos são maiores e preciso me proteger mais.

Bibi e Dedé Fernandes

Bibi e Dedé

Lá eu realizo grande parte do meu trabalho, e a família passou a se envolver nos jobs. Minha mãe passa as roupas, meu pai limpa os espelhos e a Catarina, minha sobrinha de 9 anos, faz as produções e tira as fotos. Ah, tem a Maricota também, de 5 anos, que ajuda a atrapalhar.

No mês de maio, minha mãe fez dois jobs de Dia das Mães que foram muito importantes para ela se sentir ativa nesse momento de isolamento. Ela estava um pouco triste e o carinho das seguidoras e das marcas fizeram a diferença.


Seguindo em frente:

Somado a isso, nesses meses fui apresentadora de uma live de pagode solidária em prol de uma instituição, fiz lives colabs com marcas plus size, criei um desafio entre as seguidoras, que me fez tão bem por poder inspira-las e entretê-las diante de tantas incertezas. Também fiz uma sessão de fotos via FaceTime com a fotógrafa Elaine Kuntz; foi uma uma nova experiência e amei o resultado.

O Instagram (@deborafernandesplus) foi a minha principal ferramenta de trabalho nesse momento, mas senti que alguns conteúdos me deixavam mal. Filtrei muita coisa e me apeguei ao carinho e troca entre as seguidoras.

Dona Mire e Catarina

Dona Mire e Catarina


Um novo começo:

E assim a gente segue descobrindo que precisa de menos do que a gente achava que precisava, ficou ainda mais claro nossos privilégios e como podemos usá-los para ajudar o próximo.

Para concluir, desejo que a gente aprenda muito nessa caminhada, principalmente sobre nós, a respeitar nosso tempo, não nos comparar, não nos cobrar tanto. Nesse momento, além de nos proteger do vírus, precisamos nos cuidar com mais carinho, acima de tudo. Não está fácil, mas tenho esperança de dias melhores.

Se puder fique em casa.
Se precisar sair, se proteja!
Beijos plus

Dé Fernandes é criadora de conteúdo, consultora de moda e modelo. Instagram: @deborafernandesplus 

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