Gordofobia nos relacionamentos LGBTQIA+: poppluseiros contam suas experiências

Conversamos com o fotógrafo Felipe Mariano, a empreendedora Aline Lima e a artista Milena Paulina sobre suas vivências como pessoas gordas em relacionamentos

Infelizmente, a gordofobia tem se mostrado presente em diversos aspectos da sociedade, e a comunidade LGBTQIA+ não é uma exceção. Pessoas gordas dentro dessa comunidade frequentemente enfrentam estigmas e discriminação baseados em seus corpos, o que pode afetar negativamente sua autoestima, bem-estar emocional e confiança em estabelecer relacionamentos saudáveis.

Muitas pessoas gordas vivem relações de violência por terem uma ilusão do que é o afeto. Além disso, muitas vezes acabam entrando em relacionamentos onde são invisibilizadas ou fetichizadas. Isso acontece por terem sido ensinadas, desde a infância, a “não desagradar” e a “se conformar com o que tem”.  O Pop Plus já abordou o tema no debate “O corpo gordo, sexo e afeto“; realizado na 30ª edição da feira. E a colunista Drika Lucena já questionou o ciclo de dizer sim a todo mundo.

No mês de julho, além de celebrar o amor, também se celebra o dia do orgulho LGBTQIAP+, e por isso conversamos com a empreendedora Aline Lima e os fotógrafos Felipe Mariano e Milena Paulina, todos da comunidade Pop Plus, sobre gordofobia e afetividades.

Aline Lima, empreendedora da marca Underline

GORDOFOBIA E AFETIVIDADES

Aline Lima, 33, empresária responsável pela marca Underline, que está sempre presente no Pop Plus, é, como brinca, “uma tradicional caminhoneira brasileira”. Ela conta que esteve a vida toda em um efeito sanfona: “Enfrento altos e baixos na relação com meu corpo, mas acho importante que haja um debate honesto sobre isso”.

Para Aline, muitas vezes a gordofobia pode ser ainda mais tóxica dentro da comunidade LBGTQIA+. Ela entende que entre mulheres lésbicas pode haver uma falsa sensação de segurança, mas também há a cobrança de um padrão estético para seguir. “Além disso, quando essa violência é aliada a lesbofobia, somos fetichizadas por homens e querem que a gente reproduza estereótipos de feminilidade”.

O fotógrafo Felipe Mariano, 40, se define como panssexual. Ele conheceu o Pop Plus pelas redes sociais, e já participou como frequentador, artista, expositor e atualmente é um dos fotógrafos da equipe de cobertura do evento. Felipe conta que foi uma criança gorda e que durante a adolescência, quando emagreceu, entendeu a gordofobia: “O mundo trata diferente as pessoas magras, ele sorri mais pra elas”.

Felipe conta que sempre se relacionou com pessoas gordas e foi com a única companheira magra que sofreu gordofobia. “Eu engordei e recebia criticas duras com a justificativa que era pro meu bem. Era como se o melhor pra mim fosse continuar magro e ter o privilégio de continuar com ela”, debocha.

APAGAMENTO X FETICHIZAÇÃO

Milena Paulina, 28, fotógrafa, pessoa não-binária e bissexual, já esteve no Pop Plus como artista expositora. Ela conta que todos os processos pelos quais passou a levaram a uma relação mais tranquila com o corpo: “Desde o entendimento do formato e biotipo e a própria transição e entendimento de um corpo não-binário. A forma como eu me enxergo tem melhorado conforme o tempo passa”.

Ela descreve vivências em ambas situações: “Já conheci uma pessoa que tinha fetiche por gordas e achava que eu era a porta para chegar em outras mulheres gordas. Além de situações em que alguém te convida para um encontro onde sequer tem uma cadeira sem braço, não pega na sua mão na rua… Sempre paramos nesse lugar de merecer menos amor”.

Paulina também reforça que ainda hoje pessoas gordas que simplesmente falam sobre sua existência ainda são tratadas como terroristas contra a saúde. “Em diversos locais vemos pessoas LGBT+ sendo gordofóbicas, com elas mesmas ou com quem convivem, se relacionando afetivamente ou não”. Felipe complementa: “Às vezes, dentro das relações, as pessoas agem de forma mais abusiva com você e você não percebe o quanto aquilo te afeta”.

gordofobia e afetividades
Felipe Mariano, fotógrafo

ACOLHIMENTO E RELAÇÕES SAUDÁVEIS

Felipe conta que aprendeu a ver seu corpo de outra forma quando, junto com sua esposa Jéssica Chamma, criou o projeto fotográfico Cada Uma. Nele, mulheres posam nuas para retratos simples, autênticos e sem retoques, que registram a beleza em sua maneira mais pura e crua com a proposta de ajudar a questionar os padrões estéticos que a sociedade impõe. “Fez a gente conhecer outras pessoas gordas e outras formas de lidar com nosso corpo”.

Por isso, ele acredita que para quem tem dificuldade de se relacionar por ter questões de autoestima em relação ao corpo e à sexualidade, o ideal é procurar se conectar com pessoas parecidas: “Se você é alguém introspectivo, busque nas redes sociais perfis que te tragam o sentimento de acolhimento. Vá no seu tempo, mas se fortaleça”.

Milena Paulina, fotógrafa e artista

Aline, por sua vez, acredita que teve sorte, por sempre ter se relacionado com pessoas em sua maioria gordas. Mas conta que a atual parceira sempre ofereceu muito acolhimento, mesmo não sendo uma mulher gorda. “Aprendi a buscar em relações amorosas parceiras que respeitem meu corpo. E isso só aconteceu quando passei a respeitá-lo também. Se ter um corpo gordo é o ‘preço a ser pago’ por desfrutar de alimento, carinho e de bons momentos, eu pago. Meu corpo é incrível e me proporciona momentos únicos”.

Paulina reforça o coro: “Se relacione com outras pessoas gordas, que estejam no mesmo movimento que você, que te alcancem sem você ter que explicar ou justificar sua existência. Amar alguém com um corpo parecido com o seu é se amar também”.

INCLUSÃO NA COMUNIDADE LGBTQIA+

A luta contra a gordofobia e a promoção da inclusão na comunidade LGBTQIA+ envolvem o combate a estereótipos prejudiciais e a promoção da aceitação de corpos diversos. Além disso, é fundamental que as pessoas estejam atentas a seus próprios preconceitos e privilégios, trabalhando para desconstruí-los.

Para uma comunidade LGBTQIA+ verdadeiramente inclusiva, é necessário educar-se sobre a diversidade de corpos e experiências vividas por pessoas gordas. Isso envolve ouvir suas vozes, valorizar suas histórias e reconhecer que a beleza e o valor de um indivíduo não estão vinculados ao seu peso.

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