Gordofobia na maternidade: desafios e redes de apoio

Para pessoas gordas, lidar com violência médica pode ser uma recorrente desde a falta de tato com o paciente até a falta de estrutura hospitalar para exames e consultas; e o momento da maternidade não seria diferente: a gordofobia na maternidade é um problema presente na vida de quem tem filhos, desde o momento da gestação até a criação e rotinas da família.

Gordofobia e Gestação

“Eu já tinha ouvido falar de muitas pessoas terem problemas na gravidez por serem gordas ou terem engordado demais. A gente fica sem saber”, conta Isabella Sarkis, designer, que descobriu sua gravidez quando tinha 31 anos. “Na época era considerada gorda menor, mas vivenciava muitas situações de gordofobia, especialmente com médicos”, diz.

Gabi Menezes, psicóloga, conta que ouvia que “mulheres gordas não podiam engravidar porque matariam o bebê” e que se sentiu “assustada e com medo” quando descobriu sua gravidez, já de 14 semanas. “Fui ao médico para saber porque não estava menstruando e o ginecologista olhou para o meu pescoço e disse que provavelmente pelo meu peso e tireoide alterada. Durante a gestação, o médico não quis auscultar o coração do bebê, dizendo que não daria pra ouvir nada por conta do volume da minha barriga”, narra Gabi sobre alguns episódios marcantes durante sua gravidez.

Laís Sampaio, 32, empresária do ramo da música e que escreve sobre maternidade possível em seu instagram, conta que um episódio marcante foi quando, ao ir à praia com uma amiga com o mesmo tempo de gestação que ela, uma senhora perguntou apenas à amiga com quantos meses ela estava. “Ela não percebeu que eu também estava grávida. Foi muito forte aquilo pra mim porque eu respondi muito rapidamente “estamos com 8 meses!”, nem passava pela minha cabeça que as pessoas não me percebiam grávida”. Com episódios de gordofobia como esse, ela diz que até já deixou de usar filas preferenciais “por ter tão entranhado na mente a gordofobia social” e desabafa: “se não tomarmos cuidado, caímos em uma armadilha”.

Gordofobia e Maternidade

A gordofobia também reflete em como a sociedade olha a criação dos filhos e a forma de cuidado da mãe gorda. “Tenho uma filha magrinha e miudinha, o que choca muitas pessoas quando nos olham juntas”, conta Laís. “Se eu tivesse uma criança gorda e saudável, ela já não seria julgada de obesidade infantil?”, questiona.

“Todo mundo acha que vou alimentar meu filho mal”, conta Gabi. “Já ouvi muitas vezes que faço muita massa em casa e deveria fazer mais legumes”, diz Isa. “Aqui comemos bem, fazemos questão de ter todos os grupos alimentares nas refeições, priorizamos uma alimentação saudável. Mas quando você é uma mãe gorda, as pessoas acham que você vai engordar seu filho também”, reforça.

gordofobia na maternidade
Laís Sampaio | @ki.dsgraca

Maternidade e Redes de Apoio

“Me considero bastante sortuda por sempre ter tido rede de apoio, na gravidez e depois dela”, comenta Isa. Essa sorte não é realidade presente para a maioria das mães. “Me pergunto muito sobre a famigerada rede de apoio gestacional ou puérpera, ela existe? Conto nos dedos com quem posso, efetivamente, ter apoio, colo e consolo”, provoca Laís, que conta sobre a necessidade de, como muitas mães, ter ou manter um acompanhamento psicológico e fazer terapia no processo.

Gabi também conta que faz terapia, além de participar de grupos de mães gordas no Whatsapp e pode levantar discussões como essas com suas seguidoras no Instagram. Criou com uma amiga o coletivo “Saúde Sem Gordofobia”, onde mostram “formas de se posicionar, de buscar direitos e de principalmente poder compreender que a gordofobia médica é problema social e médico e não da pessoa”.

“Tente conviver com o que se é no momento”, sugere Isa. “Você é mãe e tem todo o direito de descansar, lavar a cabeça, tomar um banho decente, se vestir bem, ir ao cabeleireiro. Faça tudo o que puder para se sentir bonita no corpo que você tem. Peça ajuda para quem puder, não esperem oferecer. Você merece se sentir bem, acima de tudo“, completa.

Como conselho e acolhimento, Laís afirma: “precisa ser muito grande para ser morada de alguém e se tornar mãe de fato. Precisa ser gorda, grande, corajosa, autêntica para dividir sua vida em dois corações”.

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