Sustentabilidade: o que é? Existe mesmo ou é mito? Como falar sobre o assunto na moda plus size?
O segundo dia da 28ª edição do Pop Plus contou com apoio da LYCRA® Brasil para falar sobre sustentabilidade na moda plus size e também sobre consumo, métodos e linha de produção envolvida.
A mesa foi composta por Maria Luiza Amaro, da Lycra Brasil, Marilene Veiga, estilista, empreendedora, consultora e criadora da CoutureLab Escola de Moda, Patricia Robortella, fundadora da Fruta Pão Plus e moderada por Vivi Schwager, jornalista, tradutora e cantora.
Muito além da ecologia
Quando falamos de sustentabilidade, se o que vem à cabeça é ecologia e reciclagem, saiba que o tema está muito além disso. Tem a ver com sustentabilidade na moda (e na moda plus size), como lembrou Vivi Schwager. É sobre uso de recursos naturais, reciclagem e descarte corretos de tecidos. Há também questões econômicas, da compra consciente, geração de empregos e renda (decentes!), eliminação da mão de obra análoga à escravidão e da proteção da saúde do trabalhador.
Marilene Veiga explica que, por exemplo, usar a técnica de moulage (quando a peça é modelada no próprio corpo da pessoa) é uma forma para que não haja descarte de tecido. Além disso, na CoutureLab, a técnica é feita com algodão cru que, ao invés de ser descartado, é doado. “Começamos a pesquisar artesãos que precisam desse material. Passamos a separar o tecido do papel e nós mesmos fazemos a entrega a eles”.
Ela também lembra que, para muitos casos, é possível recorrer à tecnica de upcycling, ou seja, o reuso da peça de outras maneiras.
Como minimizar o impacto
Em relação à produção da Lycra, Maria Luiza conta que desde 2008, The Lycra Company tem sua própria plataforma sobre o tema, dividida em três pilares. Eles são a excelência de manufatura, a responsabilidade corporativa e o produto. Ou seja, é preciso melhorar a produção, mas também a vida das comunidades que moram ao redor das fábricas. Ela também conta que desde 2019 a Lycra lançou o fio reciclado, “produzido a partir de resíduos de produção do nosso próprio fio lycra”.
Já a Fruta Pão Plus tem a sustentabilidade no DNA, mas Patricia Robortella explica o que isso quer dizer. “Eu entendi que, na verdade, o que a gente pode é minimizar o problema, unindo diferentes práticas”.
Segundo ela, a Fruta Pão surgiu como resultado da sua transição de carreira quando entendeu que podia ser feliz mostrando para outras pessoas a felicidade que encontrou no Pop Plus. Patricia lembra que o importante é passar a informação para o consumidor: “É mostrar o que o valor agregado daquela peça com menor impacto ambiental vai trazer pro dia a dia da pessoa”.
Sustentabilidade na moda plus size
Pensar sobre sustentabilidade na moda plus size precisa ser contínuo. No caso da Marilene, a forma encontrada foi usar o manequim da própria pessoa, não uma tabela de medidas, para os cursos de modelagem e corte e costura. “Assim aquela roupa não vai ficar encalhada”, diz. Para Patricia, é preciso também trabalhar a estratégia de comunicação e amadurecer o público plus size como um todo. “Até pouco tempo atrás a gente não tinha roupa pra comprar e usava o que tinha. Como falar pra alguém que ter aquela jaqueta dos sonhos dela é errado?”, questiona.
Quem vem primeiro no processo: design ou a sustentabilidade? Para Patricia, muitas marcas têm pouca preocupação com o tecido que primeiro desenham e depois procuram qualquer tecido. Já ela faz o caminho inverso: a partir dos tecidos vai desenhar o que pode fazer. Isso auxilia a poupar recursos.
O que o futuro reserva
Nas pesquisas para a Lycra, Maria Luiza conta que sempre pergunta qual ou quais são as características principais na hora da compra. Sustentabilidade não é uma das que aparece nas respostas. “Mas está crescendo”, comemora. Ela comenta também que nota o número de importações de vestuário caindo nos últimos dois anos. “Isso significa que as marcas e magazines estão produzindo mais, aqui no Brasil,” completa.
Outro ponto de destaque trazido por Patricia é que sustentabilidade na moda e no plus size não é só sobre tecido ou cor, mas também sobre a cadeia de produção. “Temos que pensar em quem fez a roupa e se ela é livre de exploração, pois como consumidores temos o poder de eleger as marcas que procuram sair desse ciclo”.
Maria Luiza endossa o coro: “temos que trazer informação para toda cadeia e ter uma relação de transparência”. Afinal de contas, como lembra Marilene, o jogar fora não existe: o fora é aqui.
Fotos: Robson de Paiva Leandro