Diário de Quarentena: Vanessa Campos, jornalista e influencer

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Vanessa Campos *

Entrei em distanciamento social no dia 17 de março, com a definição do meu empregador que, por segurança, durante a pandemia de coronavírus trabalharíamos todos de casa. Abre um parêntese aqui: Além de criadora de conteúdo, sou jornalista e atualmente cubro as pautas de Economia para um cliente em Brasília.

Uma escala que virou pausa

Eu tinha acabado de chegar de um breve período de férias em que viajei sozinha para repensar os rumos que minha vida pessoal e profissional tinha tomado. Antes de viajar, havia fechado dois contratos importantes que iriam dar um up no meu orçamento e também na produção de conteúdo do @blogueirafail. Diversos outros projetos estavam em curso mas, como todo mundo, a pandemia de me atingiu em cheio e me obrigou a recalcular a minha rota por completo.

Os contratos foram suspensos porque envolviam viagens e uma logística que, por segurança não poderíamos mais cumprir. Então, frustrada, num primeiro momento, entrei naquele modo produção a todo vapor. Além de uma rotina louca de trabalho “civil” de quase 14h por dia, arrumei disposição, sabe-se lá de onde, para promover lives diárias no meu perfil sobre assuntos diversos.

Em paralelo, produzia conteúdo pro feed e stories do @blogueirafail e participei de várias campanhas para ajudar as pequenas empreendedoras de moda e alimentação, algumas das pautas que abraço.

Vanessa Campos @blogueirafail praticando yoga na quarentena / pop plus
Vanessa praticando yoga

 

Aprendendo a ser generosa consigo, apesar do esgotamento

Foquei, como nunca, na yoga, meditação e no cuidado com a alimentação consciente para não mergulhar na fome emocional. Os processos de ansiedade são gatilhos para compulsão alimentar, bem sabemos. Como uma sobrevivente de transtornos alimentares, compreendo que é nesses momentos que precisamos ser ainda mais generosas com nosso processo.

Mas isso tudo exigiu demais de mim – física e mentalmente e eu paguei o preço. Privação de sono; lapsos de memória; pressão extrema no trabalho, muito conteúdo gordofóbico para lidar nas redes; o medo e a frustração com esse vírus aí fora, a distância dos amigos e família; a preocupação com os meus, a perda de controle. Isso tudo virou uma avalanche e fui engolida por ela.

Foi quando compreendi, que era hora de voltar pra terapia, que sozinha eu não ia dar mais conta. O Burnout, estava ali, me rondando desde a época anterior às férias. Acho que foi uma das melhores decisões que tomei no meio desse caos. Pedir ajuda e respirar, duas coisas primordiais na minha jornada de amor próprio e eu havia esquecido delas.

Fiz terapia por anos e alcancei bastante entendimento, mas isso não significa que eu não tenha, ao longo da vida, outras coisas a tratar. Sair do lugar arrogante e infantil de proteção, que é achar que já sei de tudo sobre mim foi/é doloroso, mas necessário. Faz parte da cura, né? E o ego, esse danado, nos arma algumas ciladas perigosíssimas.

Vanessa Campos com máscara verde fazendo skincare
Rotina de skincare de Van Van

Um novo passo de cada vez

Diminuí, desde então, o ritmo de produção, fechei um projeto semanal de lives com a Marca FALA (@marcafala) e passei a realizar algumas esporádicas no meu perfil. Agora tenho mais tempo para cozinhar; para curtir sol na varanda e ativar a vitamina D; para fazer uma rotina de skin care; brincar com meus gatos e até fazer absolutamente nada.

Venho consumindo um conteúdo mais direcionado para meus projetos e voltei a fazer planos pro futuro próximo. Comecei também uma formação em Dakshina Tantra Yoga, que vai durar dois anos. Há tempos eu adiava mas agora, com um curso online, será possível, graças ao meu privilégio de seguir em home office.

O recado que fica aqui é que não estou 100% bem, mas estou me cuidando. Atenta a mim e ao meu processo e, mais do que isso, disposta a soltar a corda e a ilusão do controle sobre as coisas. O controle nada mais é do que o medo de não dar conta, de não ser suficiente, de precisar saber tudo pra tentar ser perfeita. Estou aceitando a minha imperfeição e a nossa impermanência. Peça ajuda, respire, se hidrate, lave as mãos, lute contra o patriarcado e, se puder, fique em casa.

* Vanessa Campos é jornalista e criadora de conteúdo. Instagram: @blogueirafail


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